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Como Gerar um Protótipo Durante a Própria Sessão de Descoberta com o Cliente

No vídeo abaixo, apresento um Visual Workflow Orchestrator que desenvolvi para acompanhar, em tempo real, um pipeline de agentes de IA durante uma sessão real de descoberta com o cliente.

A ideia era simples, mas poderosa: permitir que o Product Owner visualizasse exatamente o que estava acontecendo enquanto diferentes agentes processavam a conversa, estruturavam informações, geravam artefatos técnicos e aguardavam aprovações humanas nos pontos críticos do fluxo.

Cada agente é representado por um pequeno robô colorido. Quando está aguardando, aparece em cinza. Quando está processando, pulsa em laranja. Quando conclui sua etapa, fica verde. Entre alguns agentes, conectores azuis piscam para indicar que o fluxo está aguardando uma aprovação humana antes de seguir.

Esse detalhe visual parece simples, mas muda completamente a percepção do processo. Em vez de uma automação invisível, onde ninguém sabe exatamente o que está acontecendo, o fluxo se torna transparente. O P.O. consegue ver qual agente está ativo, qual etapa já foi concluída, onde existe uma decisão pendente e em que momento a intervenção humana é necessária.

No mês passado, conduzi um experimento real: gerar um protótipo funcional durante a própria sessão de discovery com o cliente. Normalmente, uma reunião de descoberta termina com anotações, gravações, interpretações e uma lista de próximos passos. Depois disso, alguém transforma tudo em especificação, outra pessoa valida, alguém desenha a arquitetura, o time desenvolve, o QA testa e só então o cliente volta a ver algo concreto.

Nesse experimento, o objetivo foi encurtar esse ciclo sem eliminar a responsabilidade humana do processo. Durante a chamada, a transcrição da conversa foi processada por agentes orquestrados. O fluxo passava por etapas como especificação de produto, aprovação humana, arquitetura técnica, desenvolvimento, revisão de QA, uma segunda aprovação humana e documentação final.

Ao final do fluxo, já havia uma aplicação funcional publicada, navegável e conectada ao caso de uso discutido com o cliente. Mas o ponto principal não era velocidade. Era rastreabilidade.

A grande pergunta não era “quão rápido a IA consegue gerar código?”. A pergunta era outra: conseguimos transformar uma conversa ambígua em artefatos claros, auditáveis e validados enquanto o entendimento ainda está fresco para todos?Esse é, para mim, o ponto mais importante.

Quando uma solução é criada semanas depois da reunião, muita coisa pode se perder no caminho. Uma frase mal interpretada vira requisito. Um requisito mal escrito vira arquitetura frágil. Uma arquitetura frágil vira código difícil de sustentar. No fim, o cliente só percebe o problema na fase de aceite, quando corrigir já é mais caro, mais lento e mais desgastante. Com um fluxo orquestrado e visível, a conversa muda.

O cliente percebe que a solução está sendo entendida ali, no momento da discussão. O Product Owner deixa de atuar apenas como alguém que anota demandas e passa a operar como alguém que valida entendimento, direciona decisões e protege a qualidade do que está sendo produzido.

A automação, nesse contexto, não substitui julgamento humano. Ela expõe o processo. Ela mostra onde existem dúvidas. Ela acelera a produção de artefatos, mas mantém pontos de controle onde a decisão precisa continuar sendo humana. Esse equilíbrio é essencial.

Entradas vagas continuam gerando especificações ruins. Especificações ruins continuam gerando código ruim. A diferença é que, agora, esse problema aparece mais rápido. A IA não resolve automaticamente a falta de clareza. Ela apenas torna a consequência da falta de clareza muito mais visível.

Por isso, o papel da orquestração é tão importante. Não se trata apenas de chamar agentes em sequência. Trata-se de desenhar um fluxo onde conhecimento, decisão, qualidade e documentação caminham juntos. Um agente estrutura o produto. Outro transforma essa estrutura em arquitetura. Outro desenvolve. Outro revisa tecnicamente. Outro documenta. E, entre as etapas sensíveis, uma pessoa aprova antes que o processo avance.

Esse modelo também muda a escala de atuação de equipes pequenas. O “time de uma pessoa” sempre existiu. O que muda agora é que, quando bem preparado, esse profissional pode operar com uma estrutura de processo que antes parecia possível apenas em equipes maiores. Não porque a IA faz tudo sozinha, mas porque a orquestração permite organizar melhor o trabalho, reduzir perdas de contexto e aumentar a previsibilidade.

No fim, este projeto não é sobre usar IA para gerar código. É sobre criar um fluxo confiável para transformar conversas em entregáveis. É sobre dar visibilidade ao processo. É sobre permitir que o cliente participe do entendimento antes que o produto esteja pronto demais para mudar. E, principalmente, é sobre combinar automação com validação humana nos momentos em que isso realmente importa.

Acredito que esse tipo de abordagem será cada vez mais relevante em projetos de transformação digital, identidade digital, biometria, GovTech e qualquer contexto onde confiança, rastreabilidade e qualidade não podem ser tratados como detalhes.

Porque entregar rápido pode impressionar. Mas entregar algo rastreável, validado e alinhado desde a primeira conversa constrói confiança.